Por que contar vantagem?

José Manoel 10 de junho de 2015 0

Por que contar vantagem?
Em crise de governabilidade instaurada, entre outros, pelo Petrolão, o governo tenta reagir para recuperar credibilidade e, consequentemente, poder político que ora, como temos
assistido, tem sido retido nas mãos do Legislativo, mais exatamente, nas mãos dos presidentes da Câmara de do Senado Nacional.
Um dos maiores trunfos do governo foi levado a efeito ontem por meio do anúncio do
investimento em logística, na ordem de 200 bilhões de reais. Segundo a própria presidenta,

“investimento em logística dará impulso a empregos e crescimento econômico”.

Mas não nos animemos, senhores, trata-se apenas de mais do mesmo. Sim, em 2012, com não menor pompa nem circunstância, ainda em seu primeiro mandato, Dilma anunciou o
PIL, Programa de Investimento em Logística, em moldes muito parecidos com o anunciado ontem, mas que praticamente não saiu do papel.
O Brasil precisa de trilhos, a economia brasileira não tem como decolar sem eles. Muito bem, dos 198,4 bilhões anunciados, 86,4 foram destinados às ferrovias. Só poderia ser melhor se fosse verdade, vez que desse montante 50 bilhões é dinheiro chinês, investido numa ferrovia transnacional que ligará o Atlântico ao Pacífico, atendendo a um interesse deles, dos chineses.
Agora, por favor, raciocine comigo. Um governo que anunciou ferrovias em 2012, não assinou uma única concessão até o momento merece credibilidade quando faz um novo pomposo anúncio? Um governo que diz que é concessão sua uma ferrovia transnacional e soma do dinheiro investido nela no seu “pacote de concessões” merece recuperar a popularidade perdida?
Mas o pior está em outro lugar, no tipo de concessão que vai fazer. Depois de anunciar que faria a concessão no modelo de Open Acess (hoje obrigatório em toda a União Europeia, pelos benefícios e equidade) simplesmente recuou e fará as concessões ditas verticais (ainda que continue contando vantagem e dizendo o contrário) um tipo de concessão que cria verdadeiras estradas privadas no país. Motivo de vergonha nacional e alavanca de atraso econômico. Veja que isso em nada tem a ver com pedágio. Numa rodovia pedagiada trafega quem quiser, bastando pagar a tarifa. Nestas ferrovias só trafegarão o investidor e quem a este interessar, se interessar.

29642a1d30cebf98734fb424b2b1316b_XL
Santos, uma cidade umbilicalmente ligada ao maior porto da América Latina, por sua vez dependente da logística, especialmente da logística ferroviária, que a desafogaria, está novamente sendo lesada. Parece desamor. São muitos as dúvidas e incertezas, mas uma coisa é certa: a iniciativa – positiva – da concessão para buscar investsimentos foi tomada, contra isso não podemos nos opor.

José Manoel Ferreira Gonçalves
Presidente da FerroFrente-Frente Nacional Pela Volta das Ferrovias
Doutor em engenharia, advogado e jornalista.

About the author

José Manoel Doutor em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia Mecânica, Engenheiro Civil, Jornalista e Advogado. Pós-graduado em Geoprocessamento, Termofluidomecânica, Eng. Oceânica e História da Arte. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo. Para visualizar o curriculumn clique aqui.

Deixe seu comentário