AFUNDANDO… O BRASIL E MINHA GARAGEM

José Manoel 3 de fevereiro de 2016 0
Também sou vítima do prédio do Lula, como ficou conhecido o Edifício Solaris do Guarujá, litoral de São Paulo.
 
Adquiri há muito tempo um apartamento em prédio próximo onde depois seria construído o Solaris, sem o requinte e dimensões da unidade do Lula no Solaris, nem a vista para o mar, infelizmente.
Digo do Lula, em que pese a documentação apresentada pelo seu Instituto dele, procurando afastá-lo dos fatos. Nada daquilo me convenceu, como por certo não convenceu a você. Nada restou provado com a versão jurídica apresentada, a não ser o claro cuidado em manter uma contabilidade “saudável” para os órgãos públicos, para imprensa e para a nação. Sou um homem de esquerda, as questões sócias são sempre a preocupação primeira, mas não consigo tapar sol com peneira.
 
Quis o destino que hoje eu morasse em prédio adjacente ao do ex-presidente Fernando Henrique, mas antes, vivi diversos anos em Guarujá, e novamente o destino, caprichosamente, acabou me colocando exatamente a uma parede de distância do problema Lula, e assim acabei parte dele. Explico: o rebaixamento do lençol freático (água do subsolo) realizado para construção dos dois pisos de garagem daquele prédio do famoso tríplex, acabou afetando os prédios vizinhos e minha vaga de garagem afundou, junto com o Lula, o PT e o Brasil.
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Tudo indica que como havia o interesse de um ex-presidente e muita gente querendo agradá-lo, as obras de conclusão do prédio foram aceleradas, a qualquer custo, material e imaterial, pouco importando o prejuízo alheio de tantas pessoas. Um exemplo do abuso e egoísmo desse desrespeito foi a obstrução dos elevadores enquanto a família do expresidente Lula, de acordo com as declarações públicas do zelador do edifício Solares, estava no prédio.
Da obra, restam dois fatos, que merecem destaque. O primeiro é que enquanto alguns tiveram vantagens especiais, outros, na verdade, milhares de pessoas foram iludidas, porque apesar de pagarem suas prestações a Bancoop, que era a cooperativa habitacional criada por uma ala do PT, que acabou falindo, não receberam as chaves das unidades habitacionais contratadas. O outro fato, foi o risco que as consequências de uma obra malconduzida poderiam ter causado: O pavimento da avenida da praia das Astúrias, onde está localizado o prédio do tríplex poderia ter cedido e aberto cratera onde veículos e pessoas poderiam ter sido dragadas vivas; os pisos das garagens dos prédios vizinhos poderiam ter afundado ainda mais que a minha garagem; poderiam ter ocorrido os chamados recalques diferenciais, que fariam surgir trincas e mesmo algo ainda mais grave. Felizmente, por pura sorte, apenas uma parte desses riscos aconteceram.
 
Por certo os meus prejuízos pessoais, sejam materiais ou imateriais, não são desprezíveis, mas o maior prejuízo, sem dúvida, é o coletivo com o fim de nossos sonhos e esperanças, o imenso sofrimento da falta de perspectivas e confiança no futuro, a sensação de impotência de ver nosso país afundando, distanciando-se a do que um dia foi motivo de orgulho e hoje é absoluta vergonha, com o impoluto guardião da moral na política traindo a nação em troca de vantagens pessoais, ou para o seu partido e amigos. Isso me entristece mais. Muito mais!
 
José Manoel Ferreira Gonçalves
Doutor em engenharia, Jornalista, Advogado e Escritor

About the author

José Manoel Doutor em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia Mecânica, Engenheiro Civil, Jornalista e Advogado. Pós-graduado em Geoprocessamento, Termofluidomecânica, Eng. Oceânica e História da Arte. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo. Para visualizar o curriculumn clique aqui.

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