Mandioca é usada no desenvolvimento de novas embalagens biodegrádaveis

Fernanda Sophia 8 de maio de 2013 0

fecula

Imagine uma embalagem biodegradável que indica se o alimento está impróprio para consumo, isso existe devido a uma pesquisa realizada pela Escola Politécnica (Poli) da USP, essa embalagem biodegradável muda de cor quando o produto começa a se deteriorar, indicando aos consumidores que está impróprio para o consumo.

A embalagem, feita com fécula de mandioca (fécula é o amido extraído das raízes da mandioca), possui um pigmento chamado antocianina, que alterada sua cor quando há mudança no pH do produto (passando de ácido para básico), que acontece durante o processo de deterioração.

O projeto foi criado pela engenheira agroindustrial Ana Maria Zetty Arenas, no Laboratório de Engenharia de Alimentos da Poli, e pode ser usado em embalagens de peixe cru.

O estudo faz parte de um projeto que visa produzir filmes biodegradáveis com fécula de mandioca para utilização em embalagens, agregando algum tipo funcionalidade além da proteção do produto, conta a professora Carmen Tadini, do Departamento de Engenharia Química da Poli, que coordenou a pesquisa. Atualmente, também são desenvolvidas embalagens que possuem princípios ativos com ação antimicrobiana, para minimizar ou evitar o crescimento de micro-organismos, e outras que funcionam como dispositivos para liberação de medicamentos, chamadas de embalagens ativas.

Na elaboração da embalagem foi adicionada a antocianina, um pigmento natural responsável pela ampla gama de cores (azul, violeta, vermelho e rosa) na maioria das flores e dos frutos. Os grupos de moléculas metoxila e hidroxila, além da presença do açúcar e de ácido, têm um efeito importante

sobre a cor e a estabilidade das antocianinas, descreve Carmen. Com o aumento do número de hidroxilas, a coloração das antocianinas muda de rosa para azul ou cinza. Essa mudança pode ser verificada, por exemplo, no repolho roxo, na uva e na jabuticaba, acrescenta. Na pesquisa, foi testado o efeito do pigmento em embalagens de peixe cru, do tipo que é vendido em supermercados.

A explica que quando o peixe começa a se deteriorar, ocorre um aumento do pH devido à decomposição de aminoácidos e da ureia e à desaminação oxidativa da creatina, liberando aminas voláteis que dão origem ao chamado cheiro de peixe podre. O pH da carne aumenta até se tornar básico, ou seja maior do que 7, processo que dura cerca de três dias, firma. A embalagem com antocianina, que tem uma cor vermelha muito intensa, em contato com as moléculas voláteis vai ficando cinza-escuro.

Vida de Prateleira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece que o peixe com pH acima de 6,8 é considerado impróprio para consumo. Nos testes da embalagem com antocianina, a mudança da cor aconteceu somente depois que o pH ultrapassou o limite estabelecido, diz Carmen. Além da mudança de cor se percebida visualmente, ela também foi confirmada por meio de equipamentos de medida analítica de cor.

De acordo com a professora, a antocianina pode ser utilizada na produção de uma “embalagem inteligente” (“smart package”). “O filme funcionaria como uma espécie de vitrine, com a embalagem incluindo uma paleta de cores para informação ao consumidor”, explica. “A vida de prateleira do produto pode terminar antes do prazo estimado, devido, por exemplo, a microfissuras que eventualmente apareçam na embalagem. Dessa forma, a mudança de cor alertaria aos consumidores e também aos comerciantes de que o produto se tornou impróprio para ser comercializado e consumido”.

A pesquisa foi tema da dissertação de mestrado de Ana Maria, intitulada Filme biodegradável a base de fécula de mandioca como potencial indicador de mudança de pH.

Segundo o INP (Instituto Nacional do Plástico), o Brasil reduz 32% o consumo de sacolas plásticas em 5 anos.

Na Alemanha, França e outros países, a plasticomania deu lugar à sacolamania. Quem não leva sua própria sacola para carregar as compras é obrigado a comprar na loja. Tudo pela sustentabilidade.

 

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