Ideologia Fora dos Trilhos

José Manoel 10 de abril de 2015 0

Entre os anos 1960 e 1980 a América do Sul foi governada por grupos extremamente ligados à direita. Os principais países sul-americanos passaram por duras ditaduras militares nesse período, regimes em geral impostos com amplo apoio norte-americano, como foi o caso no Brasil. Os americanos justificavam esse apoio pela luta contra o comunismo. Vivia-se então o auge da guerra-fria.

Nos anos 1990, primeiramente no Chile e na sequência no Brasil, passou a prevalecer na América do Sul a política neoliberal. Iniciada por Margaret Thatcher na Inglaterra já nos anos 1970, e adotada por Ronald Reagan nos anos 1980, ela foi sustida pelo Democrata Bill Clinton nos anos 1990 e pelos governos de Fernando Henrique Cardoso no Brasil e de Carlos Menem na Argentina. A ideologia era liberal, portanto de direita, mas agora os principais governos sul-americanos eram eleitos e reeleitos democraticamente.

O novo milênio, contudo, chegou soprando novos ares, o vento agora zunia em direção à esquerda. Primeiro a Venezuela de Hugo Chaves 1999-2013, depois a Bolíviade Evo Morales 2002-2013 e o Brasil de Lula e Dilma 2003-2013. Na sequência aArgentina, com o casal Kirchner 2003-2013 e o Equador, com Rafael Correa 2006-2013, aí o Paraguai com Fernando Lugo 2008-2012 e o Uruguai, com José Mujica 2010-2013. Exceto Fernando Lugo, que foi deposto, todos os demais continuam no poder.

Seja por ser o primeiro, seja por causa de sua habilidade política, Hugo Chaves sempre exerceu liderança política e ideológica sobre os demais países citados. Das grandes economias sul-americanas, apenas o Chile e a Colômbia (provavelmente devido às Farc) não aderiram à guinada à esquerda.

A história demonstra claramente que quando as instituições estão funcionando e a democracia prevalecendo, existe um movimento pendular inequívoco, ora prevalecem as forças da direita, ora as da esquerda. Um polo ascende ao poder e, inevitavelmente, vai se desgastando com o tempo enquanto o outro polo opositor tende a se reerguer. Recentemente vimos isso na França de Mitterrand, na Inglaterra de Tony Blair, e constantemente na democracia americana dos partidos Democrata e Republicano.

Se for verdadeira essa primeira premissa, é inevitável supor que o esquerdismo sul-americano esteja caminhando para o desgaste e que a direita esteja em vias de voltar a liderar nosso continente.

Como nosso foco não é ideológico, mas de melhorias econômicas e sociais via infraestrutura, tanto para a nação brasileira, como para nossos queridos hermanos sul-americanos, fizemos este preâmbulo das ideologias vigentes por causa de uma segunda premissa: os governos de direita em geral têm viés globalizante e são mais favoráveis a conglomerados econômicos, como o Mercosul, e à integração regional; enquanto os de esquerda tendem a ser mais nacionalistas.

Se for também verdadeira a segunda premissa, é forçoso concluir que chegou a hora de começarmos a discutir a sério a integração de toda infraestrutura sul-americana, mais especialmente a integração da nossa malha ferroviária com os países limítrofes, aumentando potencialmente nosso comércio e a integração de nossos povos. Oxalá!

Que tal começarmos pelas bitolas dos trilhos e pelo traçado das novas linhas férreas previstas no PAC?

Confusing railway tracks

About the author

José Manoel Doutor em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia Mecânica, Engenheiro Civil, Jornalista e Advogado. Pós-graduado em Geoprocessamento, Termofluidomecânica, Eng. Oceânica e História da Arte. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo. Para visualizar o curriculumn clique aqui.

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