Para onde vai o seu cabelo?

Marcus Neves Fernandes 19 de março de 2014 0

Responda rápido: quanto cabelo você deixa nos salões de beleza ao longo de um ano? Nunca pensou nisso? Pois é, nem eu, até outro dia, quando estava revendo arquivos de acidentes petrolíferos. Sim, cabelo tem tudo a ver com óleo no mar, por mais estranho que possa parecer.

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Essa ligação entre causa e efeito surgiu com mais força em 2010, quando da explosão da plataforma Deepwater Horizon, que despejou mais de 1 milhão de litros de óleo por dia no Golfo do México. Para reter parte desse petróleo, foram usadas boias – e algumas eram revestidas com cabelos e pelos de animais de estimação.

Esse material tem uma enorme capacidade de concentrar o óleo: um quilo absorve um litro a cada minuto, podendo ser reutilizado várias vezes. O resultado foi tão bom que chegou-se a criar uma rede de fornecedores de cabelos e pelos nos EUA.

Um dos melhores é o pelo dos gatos. Enquanto nos humanos cada folículo tem um fio, nesses felinos são seis fios, em média.

Curiosidades à parte, situações como essa nos lembram que é possível reciclar ou reutilizar praticamente tudo ao nosso redor, até mesmo coisas que nem imaginamos, por vezes com resultados surpreendentes.

Foi assim, por exemplo, que um ex-morador da Baixada Santista tornou-se o ‘rei das boias’ em Aruba, no Caribe. Reutilizando garrafas PET, Ulysses Matarozzi criou boias para demarcação de praias ou redes de pesca, consideradas melhores e mais baratas que as tradicionais. “Não tenho concorrentes”, afirmou.

Com o mesmo material, só que utilizando metodologia diferente, a engenheira Luana Vieira, da Unicamp, construiu um quebra-mar para proteger a costa contra erosão ou para abrigar áreas com píeres, portos e marinas. A barreira, que nos testes superou todas as concorrentes, foi até patenteada.

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About the author

Marcus Neves Fernandes Marcus Neves Fernandes é jornalista há quase duas décadas. Começou a cobrir o tema Meio Ambiente em 1992, como correspondente do jornal Folha de São Paulo. Entre 2001 e 2012, criou e editou o suplemento Ciência & Meio Ambiente, publicado todas as segundas-feiras no jornal A Tribuna (Santos). No trabalho e fora dele, parte do princípio de que o certo é menos relevante do que aquilo que é sábio.

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