Poluição Urbana Causa Câncer (ou a Falta de Trem Também Mata)

José Manoel 22 de janeiro de 2014 0

Agora é oficial: a poluição atmosférica está entre principais causas do câncer, porque quem diz isso é o Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O ar que respiramos está repleto de substâncias cancerígenas e contribui com centenas de milhares de mortes por ano”.

A sentença, com tradução livre, faz parte do relatório divulgado em 16 de outubro de 2013 pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (AIPC), subordianada à OMS.

Há tempos que vínhamos batendo nessa tecla, inclusive em livro publicado recentemente “Despoluindo sobre Trilhos”.

Uma das razoe para a volta dos trilhos é que o trem emite apenas um quarto de poluição se comparado ao ônibus.

O relatório disse que 223 mil mortes por câncer de pulmão ocorridas em 2010 no mundo resultaram da poluição atmosférica.

Disse ainda que há fortes indícios de que a contaminação do ar eleva o risco de câncer de bexiga. Esses números, contudo, não entraram na estatística acima.

Na verdade havia consenso que a poluição atmosférica, que mais decorre das emissões de gases no transporte, geração energética, indústria e agricultura, eleva os riscos de diversas doenças cardiorrespiratórias. O que muda agora é a oficialidade desse saber.

Nos últimos anos, em algumas partes do mundo, a exposição à poluição cresceu significativamente. Isso se deu principalmente nos países populosos e naqueles que passam por uma rápida industrialização, como a China.

“Agora sabemos que a poluição atmosférica externa é não só um grande risco à saúde em geral, mas também a principal causa ambiental das mortes por câncer”. São palavras de Kurt Straif, diretor da seção de monografias da AIPC, cuja tarefa é classificar os agentes cancerígenos.

Agentes carcinogênicos do Grupo 1, assim devem passar a ser classificados a poluição atmosférica ao ar livre e o material particulado – um importante componente da poluição. Isso foi divulgado em nota, após uma semana de reuniões entre especialistas que revisaram a literatura científica mais recente na AIPC.

Entraram nessa classificação também mais de cem outros agentes cancerígenos conhecidos, como o amianto, o plutônio, a poeira de sílica, a radiação ultravioleta e o cigarro.

Muitas substâncias encontradas no ar poluído, como a fumaça dos motores a diesel, solventes, metais e poeiras já estavam com essa classificação. A novidade é que os especialistas classificaram o próprio ar poluído dos ambientes externos como uma causa do câncer.

Segundo Dana Loomis, subdiretora da seção “Nossa tarefa foi avaliar o ar que todos respiramos, em vez de focar em poluentes específicos do ar (…) Os resultados dos estudos revistos apontam na mesma direção: o risco de desenvolver câncer de pulmão é significativamente maior em pessoas expostas à poluição atmosférica.”

Christopher Wild, diretor da agência, disse que a classificação da poluição atmosférica como um agente carcinogênico é um passo importante para alertar os governos sobre os perigos (e custos) em potencial.  Segundo ele”Há formas muito eficientes de reduzir a poluição atmosférica e, dada a escala da exposição que afeta as pessoas no mundo todo, este relatório deveria passar um forte sinal à comunidade internacional para agir.”

Embora os níveis e a composição da poluição atmosférica variem muito de um lugar para outro, essas conclusões se aplicam a todas as regiões do mundo, disse a AIPC.

0,,16395669_303,00

About the author

José Manoel Doutor em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia Mecânica, Engenheiro Civil, Jornalista e Advogado. Pós-graduado em Geoprocessamento, Termofluidomecânica, Eng. Oceânica e História da Arte. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo. Para visualizar o curriculumn clique aqui.

Deixe seu comentário