Sustentabilidade na Rio+20

José Manoel 12 de junho de 2012 0

 

 

Em pauta o transporte de cargas no país.

 

O conceito de sustentabilidade, que é tão atual e importante, inclusive na oportunidade única do planeta discutir seu futuro, durante a Rio+20, deve estar presente também no planejamento da logística de transporte de cargas do nosso país e não apenas nas importantíssimas questões da biodiversidade, desmatamento das florestas e poluição de forma geral, entre outros.

As atividades de transporte podem refletir melhor uma abordagem mais moderna e global em termos de sustentabilidade. Para isso é preciso mais do que adotar novas tecnologias na queima de combustíveis mais ou menos poluidores: é preciso na realidade ir além e romper paradigmas, dizendo não a nossa obsoleta estrutura, cheia de gargalos assim mudar pra valer a nossa matriz de transportes. Colocarmos em uso mais trens e embarcações e menos caminhões é uma questão que precisa estar na pauta da reunião da ONU que vai cuidar exatamente da sustentabilidade.

O transporte de cargas e de pessoas no Brasil possui uma dependência exagerada do modal rodoviário, que, por sua vez, é o segundo mais caro, ficando neste quesito atrás apenas do aéreo. Estima-se também que o Brasil possui gastos equivalentes a 10% do PIB com transportes, com um custo do transporte rodoviário 3,5 vezes maior que o ferroviário, 6 vezes maior que o dutoviário e 9 vezes maior que o hidroviário.

Detalhe importante: o nosso transporte rodoviário é responsável por aproximadamente 60% da carga transportada, apesar de nossas dimensões geográficas serem de ordem continental, o que favorece a carga em comboios férreos. A Malha Rodoviária Brasileira tem 1.700 milhão Km, das quais 169 mil Km são pavimentados, o que significa menos de 10%. em termos de Rodovias Federais temos 75 mil Km e pavimentadas 65mil Km. Até 2015, deveremos chegar a 35 mil km, hoje temos cerca de 29 mil km.

O transporte de mercadorias nas cidades responde de forma muito eficaz às exigências das economias modernas urbanas. No entanto, é um contribuinte importante para os impactos ambientais. Estudo do Ministério do Meio Ambiente revela aumento de 56% das emissões de gás carbônico no ramo de transportes nos últimos 13 anos, passando de 94,3 milhões de toneladas de CO2 dispensadas para 146,8 milhões de toneladas. O meio rodoviário, que em 1994 representava 88% do total de emissões, elevou sua participação para 90% em 2007. De acordo com o relatório da Agência Internacional de Energia, de 2010, em 2008, 43% das emissões de CO2 vieram da queima de combustível e foram produzidos pelo carvão, 37% do petróleo e 20% do gás. O relatório de 2011, referente a 2009, atualiza esses dados por região.

Entre 2007 e 2008 foram consideráveis as variações das emissões por região do planeta. As emissões dos países fora do Anexo I do protocolo de Kyoto, onde estão os países emergentes como o nosso e as nações mais pobres, aumentaram suas emissões em 6%, enquanto as emissões dos países do Anexo I tiveram redução de 2% na média. A redução de maior relevo ocorreu na Alemanha, 15,4%. As emissões cresceram fortemente na China, 8%, no Oriente Médio, 7%, na Ásia, 4% e também na América Latina, 4%.

Mas para mudar a matriz de transporte de mercadorias, é preciso pensar que esse é um problema de longa distância ou inter-urbano, em termos geográficos e um problema de perspectiva de longo prazo em termos temporais. Afinal, transportar exige interfaces entre rodovias e ferrovias e também com as hidrovias, dessa forma, a distribuição urbana local é uma questão que afeta mais que o tráfego apenas local e regional.

Para planejar, evidentemente, é necessário compreender as implicações da localização dos terminais urbanos, a questão da intermodalidade, a localização estratégica das instalações de transbordo e os conflitos com mobilidade urbana, bem como a forma de distribuir os custos e benefícios dos equipamentos e das operações praticadas entre os entes públicos e os diversos segmentos dos setores envolvidos de modo a incentivar o envolvimento efetivo de todos os agentes, sejam públicos ou não.
Apesar da tecnologia dos veículos melhorar rapidamente, uma das principais questões ainda é o mau estado de algumas das atuais e envelhecidas frotas de veículos comerciais em circulação nas cidades, a maioria operada por pequenas empresas, muitas vezes atuando como subcontratadas para grandes empresas de transporte de mercadorias. Seria interessante que as cidades incentivassem a modernização desses veículos usados ​​atualmente.

O Programa Ambiental Despoluir que fomenta a inspeção voluntária dos veículos, controlando as emissões fora dos padrões determinados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), tem sido uma ferramenta bastante útil, mas deve ser aperfeiçoado. Porém mais do que simplesmente distribuir aparelhos medidores, os chamados opacímetros, que incentivam a frota a manter as condições ambientais de fábrica de seus veículos, seria o caso de apertar a fiscalização e aplicar punições mais severas aos que insistirem em agir contra a cidadania, r sujando o ar que respiramos.

O aprimoramento da gestão ambiental nas empresas, garagens e terminais de transporte é, assim outra exigência da realidade que se impõe. O objetivo é promover iniciativas voluntárias de certificação, regulação e capacitação na área de gestão ambiental. Um bom caminho nessa direção seria o de disponibilizar cada vez mais informações de qualidade em tempo real dos mapas de localização e de trânsito, com a instalação de mais painéis de mensagem variável e de sites de internet municipais.

As cidades também poderiam ser encorajadas a dar subsídios aos pequenos operadores de conversão para caminhões mais limpos. Combustíveis alternativos podem ser ainda melhor introduzidos integrando grandes grupos de usuários com suas enormes frotas comerciais, os veículos públicos e ônibus, a frota dos autônomos, todos dividindo o mesmo abastecimento.

Mas o problema é que atividades de transporte urbano envolvem questões econômicas, sociais e também ambientais, simultaneamente, podem resultar em conflitos. Sob as condições atuais da indústria do transporte urbano, a viabilidade económica das cidades pode realmente estar se beneficiando socialmente, mas sob o ponto de vista ambiental prejudicando as operações de transporte.

Para a sustentabilidade social e ambiental é interessante ampliar a oferta de sistemas de transportes inteligente, o que exigiria o desenvolvimento de um setor cada vez mais moderno e inovador. Isto significará uma grande mudança de paradigma da carga urbana, que ainda pode ser caracterizada, em muitas cidades como “baixo custo, baixos padrões “.

Para diminuir o potencial esses conflitos, é , por fim, necessário incentivar e criar condições para a que a intermodalidade se implante cada vez mais, o que aliás é uma tendência mundial, com a consolidação de carga urbana (“City-Logística regimes”), que pode conduzir a uma diminuição do número de veículos-quilómetros e emissões geradas pelas entregas urbanas, estabelecendo locais mais bem localizados e planejados para as entregas urbanas e promovendo o desenvolvimento de esquemas de consolidação integrando os setores privados e público em suas diversas esferas, através de consultas e parcerias importantes.
José Manoel Ferreira Gonçalves é doutor em engenharia, jornalista e advogado.

About the author

José Manoel Doutor em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia Mecânica, Engenheiro Civil, Jornalista e Advogado. Pós-graduado em Geoprocessamento, Termofluidomecânica, Eng. Oceânica e História da Arte. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo. Para visualizar o curriculumn clique aqui.

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