VOCÊ ACREDITA EM AZAR?

José Manoel 22 de abril de 2015 0

Em 1854, o Brasil inaugurou sua primeira ferrovia. O progresso chegava com 14,5 km de trilhos entre a cidade do Rio de Janeiro e Petrópolis. Em 1889, nosso país já utilizava 9.200 km de ferrovias enquanto construía outros 9.000km.

Hoje, quase 125 anos depois, temos cerca de 25 mil km de trilhos, a mesma malha do Japão (um país do tamanho do Estado de São Paulo), 14 vezes menos ferrovias do que os EUA e quatro vezes menos do que a Rússia.

Um pouco antes, em 1887, só a cidade de São Paulo tinha 7 linhas de bonde, que juntas transportavam 1,5 milhão de pessoas por ano. A coisa prometia.

Esse ritmo de expansão das ferrovias, até hoje o meio de transporte terrestre com o menor impacto ambiental e menor custo, se manteve até meados dos anos 1930.

Foi no contexto do pós-guerra que teve início a pressão internacional, de olho no nosso mercado automobilístico, ato contínuo, veio desmonte e sucateamento das ferrovias brasileiras.

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Dez anos depois, com a assunção de Juscelino Kubitschek, o presidente “Bossa nova”, a opção pelas rodovias se materializou definitivamente.

O que hoje significa caos logístico, redução da competitividade do país, problemas de escoamento de safras e perdas gerais, foi festejado como o advento da pós-modernidade.

O trem polui quatro vezes menos, pois em média necessita de apenas um quarto do óleo diesel consumido pelos caminhões para transportar uma mesma carga. E os acidentes na estradas? A mobilidade?

As filas de caminhões para Santos etc? Tanto descaso ambiental e prejuízo apenas pela escolha

infeliz de modal.

Sim, o caminhão é ideal para curtas distâncias, mas nossas safras viajam mais de 3.000 km para

chegar aos portos e 70% desse transporte se dá sobre pneus.

Em tempos recentes, a esperança de quem pensa o país mais organizadamente foi aumentada com um anúncio por parte do governo. Há um ano e um mês, Brasília anunciou o programa de concessões de nossas ferrovias. Mas sucessivos episódios neutralizaram essa esperança.

Só agora, por exemplo, depois de todo esse tempo, é que o governo se deu conta que para que haja investimentos, falta dar mais garantias jurídicas. Anunciou que vai precisar de pelo menos mais 60 dias para negociar uma Medida Provisória, ou projeto de lei, que dê base jurídica mais consistente a esses negócios.

Como estamos iniciando outubro, ninguém em são juízo esperará algo para antes de 2015.

Pelo calendário oficial, os 10 mil km de ferrovias já estariam hoje leiloados e os investimentos de R$ 91 bilhões em vias de iniciarem-se.

A presidente Dilma foi aos Estados Unidos, com toda sua equipe econômica, para convencer os investidores privados internacionais a investirem na construção de rodovias, aeroportos, portos e ferrovias.

Não convenceu. Por quê? Restaram dúvidas quanto à segurança jurídica, ao retorno financeiro dos projetos e à regulação – em

um ano mudamos as regras das concessões três vezes, e há a ressaca das fraudes das licitações dos metrôs de SP e Brasília.

Além disso, o TCU pode impor alterações no modelo de concessões, o que poderá importar em

revisões no próprio leilão.

Mas o governo admite que as prioridades são as rodovias, os aeroportos e o poço de Libras (pré-sal).

Ficam mais uma vez para segundo plano as linhas férreas que, devido à redução de custo do transporte, poderiam a um só tempo aliviar o bolso do cidadão, já que as mercadorias poderiam custar menos, aumentando a competitividade internacional do país.

Muito azar! Ou você estaria pensando em improviso e falta de planejamento de longo prazo?

About the author

José Manoel Doutor em Engenharia de Produção, Mestre em Engenharia Mecânica, Engenheiro Civil, Jornalista e Advogado. Pós-graduado em Geoprocessamento, Termofluidomecânica, Eng. Oceânica e História da Arte. Conselheiro do Instituto de Engenharia em dois mandatos e do CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo. Para visualizar o curriculumn clique aqui.

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