A segunda vida do contêiner

klester 16 de abril de 2012 0

Iguais, sem concessões a nada que não seja um ângulo reto, os grandes recipientes usados para transporte marítimo de carga acabam descartados depois de, no máximo, dez anos de uso. Esquecidas em portos mundo afora, as vastas extensões de contêineres não passam despercebidas a alguns arquitetos, que viram nesse desperdício um enorme manancial para seus projetos. 

Holanda, Inglaterra e Japão já incorporaram a ideia e vêm erguendo não apenas escritórios e hotéis como também habitações estudantis e casas com contêineres empilhados. As possibilidades, embora pareçam limitadas devido ao formato padronizado da matéria-prima, surpreendem, como você verá nos projetos desta reportagem. Mas os grandes atrativos são mesmo a rapidez da obra – uma casa-contêiner pode sair do papel em três meses – e o custo baixo. O arquiteto paulista Frederico Zanelato, que está pesquisando o assunto, orçou contêineres usados de 2,50 x 2,50 x 6 m por R$ 4 mil cada um. 

Se no Brasil a vocação para estabelecimentos comerciais apareceu primeiro, aos poucos surgem as criações residenciais. Em qualquer caso, o conceito de sustentabilidade deixa de ser um discurso: "O gasto com água e areia é inexpressivo, a fundação, muito mais leve, e a obra, limpa. Isso permite adiantar etapas que ficariam para o final, como o gramado e a pintura externa", elenca o arquiteto paulista Danilo Corbas, que está concluindo sua casa de 160 m2 num condomínio perto de São Paulo. Ele calcula uma economia de até 30% no orçamento se comparado a uma construção convencional de alvenaria. Colaboram para o bom resultado o baixo investimento em fundação e estrutura. 

Por dentro, protegidas do calor e do frio quase sempre com lã de rocha, as casas não denunciam sua origem nem causam desconforto. As paredes de drywall, o piso quase sempre de laminado e o fechamento com vidros remetem a qualquer outra residência contemporânea. Já em espaços comerciais, quanto mais aparente a estrutura, melhor. "O contêiner é uma resposta rápida e pop para um projeto de baixo orçamento num terreno alugado", avalia o arquiteto paulistano Marcio Kogan, que assina com Mariana Simas o projeto da loja Decameron Design, inaugurada no início deste ano em São Paulo – uma boa mostra de como uma peça destinada ao esquecimento pode ganhar uma segunda vida alinhada com as exigências do nosso tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cada contêiner custou entre R$ 3 mil e R$ 4 mil (o preço varia em função do estado e do tempo de uso), sem contar os R$ 750 de frete por unidade. O aluguel do guindaste foi R$ 1 800.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para dar sustentação a eles, blocos pré-fabricados de concreto, do tipo usado em guardrails, foram fixados em dormentes por meio de placas metálicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acima: a loja paulistana projetada por Marcio Kogan e Mariana Simas, com contêineres dispostos numa das laterais do terreno, chama a atenção pelas cores vibrantes.

 

fonte:planetasustentável

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