Conforto acústico nas ferrovias

Bruno Meirinho 22 de fevereiro de 2014 0

Os trens podem proporcionar grande conforto ambiental, em todos os sentidos. Desde os mais baixos indicadores de emissões de poluentes e gases do efeito estufa, até o máximo conforto acústico dos trens silenciosos.

trens-ambiente

Essas características não são as mais frequentes nas ferrovias brasileiras, é verdade, isso deve-se ao atraso nos investimentos para a melhoria das infraestruturas, para a aquisição de locomotivas modernas e para a substituição de matrizes energéticas.

Já falamos em outra oportunidade sobre a experiência da China <https://sosplaneta.com.br/a-sustentabilidade-que-avanca-sobre-os-trilhos-o-caso-da-china-2/>, onde 100% das antigas locomotivas movidas a carvão foram substituídas por modernos modelos movidos à eletricidade ou a diesel.

Medidas de modernização do maquinário ferroviário são indispensáveis para uma efetiva política de transporte sobre trilhos. Nesse aspecto, chama atenção a experiência da Suíça, onde cerca de metade do volume de transporte de fretes é realizada sobre trilhos, um dos mais altos indicadores da Europa, se não considerarmos a Rússia, que pertence à Eurásia (ou seja, que ocupa parte da Europa e parte da Ásia), onde noventa e dois por cento das cargas são transportadas sobre trilhos.

Desde o ano de 2001, a Suíça aplica uma política de incentivo fiscal no setor ferroviário para conceder benefícios para as concessionárias que adotem tecnologias de ferrovias silenciosas.

Os benefícios alcançam o equivalente a 5% do preço do frete, e trazem resultados significativos para incentivar investimentos em busca do silêncio.

Foi-se o tempo do romântico trenzinho do caipira e no Brasil de hoje, quem vive perto de uma ferrovia sabe o quanto é importante investir em melhorias nesse sentido. Não apenas na Suíça, mas em toda a Europa, onde leis ambientais combinam incentivos e proibições para garantir conforto acústico, trens barulhentos são evitados e até mesmo proibidos.

Instados a escolher entre instalar barreiras arquitetônicas para conter o barulho ou resolver o problema na fonte, os europeus escolheram a segunda alternativa e passaram a produzir máquinas silenciosas.

O resultado desse procedimento pode ser avaliado por uma pesquisa de opinião, de 2004, que perguntou aos cidadãos qual era o modal que mais incomodava o silêncio noturno. Em primeiro lugar apareceram os aviões, seguidos de perto pelo trânsito das estradas, apenas em terceiro lugar, com menos da metade de reclamações em relação ao trânsito das estradas, encontra-se o transporte sobre trilhos, que quanto ao quesito só não incomoda menos que a circulação de bicicletas e de pessoas a pé.

About the author

Bruno Meirinho Mestre em Geografia (Produção e Transformação do Espaço Urbano-Regional, pela UFPR) e Advogado (UFPR). Conselheiro Fiscal da FerroFrente, Coordenador Técnico da Cicloiguaçu, consultor do Instituto Democracia Popular (IDP) e associado do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU). Atua na cidade de Curitiba e é sócio do Escritório Filippetto Advogados.

Deixe seu comentário