IBAMA concede licença de operação para a Usina Hidrelétrica de Jirau

Fernanda Sophia 30 de outubro de 2012 1

 A usina é localizada no Rio Madeira, em Rondônia, e terá capacidade de produzir 3.300 MW, o suficiente para abastecer 10 milhões de casas. A previsão da entrada em operação é janeiro de 2013.

 A licença de operação estabelece 32 condicionantes específicas e prevê que os programas ambientais da etapa de construção sejam mantidos, assim como os programas da fase de operação.

Segundo o Ibama, o reservatório, com 518 quilômetros quadrados e cota máxima de operação em 90m, será formado em três etapas de enchimento, com conclusão prevista para janeiro de 2014, para preservar a qualidade da água e melhores condições para o resgate da fauna.

A partir de janeiro de 2013, com o término da segunda etapa de enchimento, o reservatório atingirá a cota de 84m, permitindo o início da geração comercial de energia, explica o texto publicado no site do IBAMA.

O Brasil tem uma situação altamente privilegiada, com sua matriz energética limpa. Enquanto o mundo desenvolvido tem apenas 13% da sua energia elétrica limpa, o Brasil tem 85% da energia elétrica limpa e não poluente.

Ainda há muitas questões a serem debatidas em torno da usina de Jirau.

Milhares de aves correm riscos na represa da Usina.

No período da seca, 23 espécies de pássaros se alimentam da argila nos barrancos do Rio Madeira, chamados de barreiros. O dia amanhece e os pássaros começam a chegar de todos os lados. Em duplas, em grupos. Uma reunião barulhenta nas copas das árvores à beira do Rio Madeira. Depois, descem para o café da manhã. No cardápio: argila. Um banquete a céu aberto. São aves da família dos psitacídeos, que inclui araras, moleiros, papagaios e periquitos. Lá, elas somam um milhão, segundo um levantamento feito por especialistas contratados pela Hidrelétrica de Jirau, que está sendo construída nessa área.

”Eles buscam argila por duas razões. A primeira é por que ela é concentrada de um sal, que é raro aqui no oeste da Amazônia, e também para neutralizar toxinas da dieta, da alimentação dessas aves”, afirmou Patrick Pina, biólogo.

A região será alagada e a preocupação dos ambientalistas é que os barreiros desapareçam.

E se durante o represamento eles mantiverem o nível alto, mesmo na estação seca da região, eles não terão esse recurso e nós não sabemos o que vai acontecer com essa população”, ressaltou Patrick Pina. Em cada um desses barreiros são pelo menos três mil aves. Entre elas, espécies raras como a curica da bochecha laranja e o menor dos periquitos.

Mas ainda há outros problemas a resolver

Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, afirmou que o advogado dos ambientalistas que entraram com liminar contra a construção da usina hidrelétrica de Jirau, é o mesmo que assessora a Odebrecht, empresa que teria interesse na suspensão das obras.

Ele classificou como “uma guerra comercial” a iniciativa de ambientalistas de impedir a construção da usina de Jirau. “É uma guerra pesada entre dois grandes consórcios. Que briguem à vontade. Mas o que não pode é prejudicar o Brasil e o meio ambiente. Ambientalistas não podem ser manobrados por interesses comerciais”, disse.

A questão, porém mais impressionante de Jirau é a questão social. A explosão da revolta operária contesta o modelo do Brasil moderno.

Direitos desrespeitados, truculência e autoritarismo das empreiteiras, sofrimento impostos aos trabalhadores é o outro lado da história que ninguém viu e percebeu. Empreiteiras, sindicatos e governo ficaram surpresos com a revolta que truncou o acelerado andamento do projeto.

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Um Comentário »

  1. Patrick Pina 16 de novembro de 2012 às 12:44 - Reply

    Olá Sophia,
    eu sou o biólogo Patrick Pina que deu entrevista para a matéria veiculada no Jornal Nacional sobre os barreiros. Não pude deixar de perceber que vc fez control + C e control + V do texto da repórter Maríndia Moura sem citação. E pela maneira como fez as colagens e compôs seus parágrafos na reportagem abriu precedentes para que seus leitores entenderessem que eu tenha sido um dos “ambientalistas” citados pelo Ministro Carlos Minc. …

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